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Devemos estimular nossos filhos a competir? PDF Imprimir E-mail

Por Dr. Omar Prieto, em 11 de abril de 2007


Mudanças sociais e familiares afetaram a saúde e educação das crianças nas ultimas décadas, surgindo novos problemas de saúde que desafiam pais preocupados e a sociedade médica. A prática esportiva se apresenta como uma alternativa de solução, tanto como parte da educação e formação do caráter, bem como medida para ocupar o tempo ocioso das crianças, e principalmente para prevenir doenças relacionadas ao sedentarismo. É por isto que devemos, ao mesmo tempo em que os incentivamos, fazê-lo de forma adequada para prevenir os poucos efeitos contrários que o esporte, em especial a nível competitivo, pode ocasionar.

Mães viram-se obrigadas a sair de casa para trabalhar longas jornadas laborais, deixando as crianças expostas a situações de “abandono” durante extensos períodos em casa, sem a companhia de adultos; nos melhores casos, sob supervisão de empregados não familiares. Isto modificou profundamente os hábitos de recreação, alimentação e socialização. Diariamente temos novas evidências do aumento de incidência de doenças relacionadas ao sedentarismo e a “solidão” nas crianças, tais como obesidade, problemas de postura, hipertensão arterial, depressão, e outros. Isto sem mencionar os problemas sociais decorrentes destes problemas de saúde.

Numerosos estudos comprovam que o esporte praticado regularmente diminui o risco de doenças cardiovasculares e a incidência de alguns tipos de câncer, além de criar hábitos que se estendem para a vida adulta.

A prática competitiva do esporte faz com que a criança e adolescente aprendam a almejar objetivos e criar planos para alcançá-los, capacitando-o para utilizar estes mesmos princípios nas diferentes áreas da vida. Dado que esta atividade seja supervisionada e adequada para a idade, ela certamente beneficia a saúde, estimula o crescimento, oferece divertimento e reforça a socialização.

Muito embora o esporte ofereça grandes vantagens, sua prática excessiva, sem orientação, ou sem a oferta adequada de nutrientes pode criar problemas. É freqüente a diminuição da taxa de crescimento ou stress em crianças que sofrem cobrança excessiva por parte de treinadores e pais.  Também é freqüente a presença de lesões por fadiga muscular ou carências nutricionais que acabam por frustrar carreiras esportivas ou simplesmente desestimulam a prática continua. Por isto, as recomendações que chegam mais perto de um consenso são: para crianças em idade escolar, pré-púberes, os períodos de treino devem ser de no máximo 10 horas semanais em períodos de 2 horas, incluindo aquecimento, alongamento e desaceleração. Para adolescentes, este período pode ser estendido para 14 horas, preservando-se sempre dois ou três dias de repouso.

A avaliação física prévia e periódica faz-se necessária para determinar as condições iniciais de treinamento e posteriormente avaliar os resultados, efetuando-se possíveis alterações e, claro, indicando mudanças individuais nos treinos de acordo com as particularidades de cada atleta.

Então mãos à obra, vamos incentivar nossos filhos a competir, mas sem esquecer de fazê-lo na medida e maneira apropriadas para que eles nunca percam a vontade de continuar se beneficiando plenamente do esporte.

   
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